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Atualizado: Mar 25


Por não saber o que fazia, por não saber que, independentemente da sua vontade, estava conectada com o outro, por buscar ansiosamente, apenas o seu próprio conforto, a humanidade caminhava para a sua destruição.


Agora que, forçosamente, precisou parar, olhar ao redor, olhar o outro, a humanidade, ou seja, NÓS - vocês e eu, fomos obrigados a perceber: estamos conectados.


Os dias de hoje já não permitem mais dúvidas: somos um sistema complexo, longe do equilíbrio e que se relaciona em rede. De forma direta ou indireta, com mais ou menos poder, somos resultado e geradores ao mesmo tempo, do contexto em que vivemos. Por isso, mesmo que de maneira apressada (e um pouco atrasada) já não podemos deixar de atestar: estamos conectados e envolvidos em uma relação de corresponsabilidade.


A forma como nos movimentamos nessa conexão, poderá produzir saúde ou sofrimento, vida ou morte. Não podemos mais seguir com uma visão egocêntrica e linear do mundo. Ela nos afasta da realidade e do coletivo, assim como da percepção do impacto que a conexão com o outro tem sobre nossas vidas. Estamos todos conectados.


Ao destruir o outro para sobreviver, morre-se junto. Ao auxiliar o outro a viver, vive-se junto. A pergunta que nos cabe em tempos tão difíceis, e que poderá ser o produto das mais variadas formas de quarentenas que iremos nos impor nos próximos dias, é: qual a direção que iremos dar às nossas conexões?

Claudia Sigaran


A empatia é um termo que tem sido, atualmente, muito usado em

diversos contextos. Fala-se, inclusive, de empatia no trânsito! Mas o que vem a ser empatia?

A empatia é uma capacidade humana inata, derivada da emoção amor, que permite nos aproximarmos de como os outros seres humanos sentem suas emoções. Entretanto, a empatia também é uma habilidade social que precisa ser treinada para ser desenvolvida nas relações sociais. Quando uma criança pequena bate no rosto de sua mãe e ela lhe diz “Não! Assim faz dodói na mãe!“, ela está auxiliando o filho a compreender como ela sente o efeito deste gesto.


A simpatia nos fala sobre como nos colocamos ao lado de alguém, enquanto a empatia nos desafia a “entrarmos” dentro das emoções da pessoa com quem estamos interagindo. Ser simpático é ser gentil, carinhoso e agradável. Ser empático é se colocar na pele do outro e ter disponibilidade de se conectar com o sentimento alheio.

No nosso dia a dia, é comum interagirmos com diversas pessoas. Normalmente, tendemos à simpatia, pois é mais fácil usar “protocolos” sociais que funcionam bem em qualquer interação: “bom dia”, “tudo bem?” ou qualquer pequena conversa sobre o clima são coringas de gentileza.

Mas como seria se decidíssemos ser empáticos, inclusive nas conversas rápidas? Empatia não significa que precisamos nos doar absolutamente para o outro ou usar de um esforço terapêutico para nos conectarmos. Ser empático não significa concordar com o que o outro sente, mas sim uma disposição para validar o sentimento alheio. Significa não julgar e dar à pessoa o direito de sentir e interpretar a realidade da sua forma.

Uma maneira simples e fácil de ser empático é ter um interesse genuíno pela vida alheia. É se perguntar: “O que está acontecendo na vida desta pessoa que está na minha frente?”. Empatia é perguntar, sinceramente: “Como você está?” ao invés de afirmar “Tudo bem?!”. É lembrar que sua amiga começou um trabalho novo e perguntar como está a nova experiência profissional. É recordar que um primo fez uma viagem e pedir para ver as fotos. É lembrar que o colega saiu da casa dos pais para morar com a namorada e perguntar como está a vida de casado. É lembrar que alguém próximo irá fazer algo muito importante e perguntar como está a ansiedade do momento. É perceber que alguém precisa estacionar numa rua movimentada, lembrar que você já passou por essa dificuldade e dedicar 10 segundos do seu tempo para facilitar esta ação do outro.

Nós entendemos que simpatia e empatia são importantes nas relações sociais. Enquanto uma abre caminho para a gentileza e a alegria, a outra nos possibilita uma conexão próxima e amorosa.



Nenhuma Terapia de Casal unifica, magicamente, o tempo de cada pessoa em um mesmo tempo conjugal. Cada um tem o seu tempo para mudar aquilo que lhe é difícil. Porém, é possivel usar nosso tempo de duas formas. Podemos usá-lo para procrastinar e nos distrair daquilo que é necessário transformar. Mas também podemos usar nosso tempo para produzir. Ou seja, para refletir consigo e com outros, para pesquisar ou para ler. Ou seja, para colocar elementos que possam aumentar as chances de nos mover para o que é essencial, mesmo que seja dolorido.

É preciso ter atenção à distração que nos afasta dos nosso valores, coragem para enfrentar nossos desafios e, sobretudo, paciência para esperar resultados conjuntos. Nem sempre as pessoas que amamos conseguem mudar no mesmo tempo que nós conseguimos, e vice-versa. Todos tem o direito ao seu tempo de mudança!


Às vezes, o movimento de libertação de um estimula a mudança do outro. Porém, também pode pressionar o outro para mudar antes de estar pronto para isso. Assim, quando um membro do casal deseja mudar, sem estar preparado para isso, pode manter o mesmo padrão de sofrimento. Um casal que se movimenta de forma madura, em direção à espirais de saúde, respeita e considera o tempo de cada um... para que se transforme no tempo do casal!